Durante a gravidez os pais costumam pesquisar e estudar para o parto e os cuidados do bebê nos primeiros meses de vida. No entanto, nem sempre a família está preparada para o quem vem pela frente quando o assunto é o sono do recém-nascido.

Eu mesma, apesar de ter o blog da Joli Môme e trabalhar no segmento materno-infantil, fiquei surpreendida que minha filha, Ambre, não passava seus dias dormindo (o que teria me deixado trabalhar!), gerando muita frustração no início da maternidade!

 

Noites em claro, dias sem tempo, choros incontroláveis e olheiras podem fazer parte do pacote que envolve ter um bebê em casa. Contudo, entender o desenvolvimento do sono dos pequenos ajuda os pais a terem uma ideia mais precisa do que esperar e como lidar com cada dificuldade. Pais consciente serão pais mais pacientes e isso terá um impacto global em uma casa mais tranquila!

Ninguém consegue raciocinar bem depois de 2176215124 despertares noturnos, não é mesmo? Boas noites de sono são fundamentais para a qualidade de vida familiar e alguns pequenos ajustes podem colaborar nesse sentido.

Pensando nisso, tenho 5 dicas essenciais para o sono do recém-nascido. Espero que elas sejam úteis para uma experiência de puerpério mais leve e tranquila!

 

 

1 – Expectativas

 

O primeiro ponto quando falamos sobre o sono do recém-nascido é ter expectativas reais. Aquela tão esperada noite inteira de sono pode demorar “um pouquinho” até acontecer! E tudo bem! É assim mesmo e evite comparações com outros bebês para não cair na frustração a cada chorinho no meio da madrugada.

 

Vale lembrar 2 coisas:

 

– Especialistas consideram noite inteira quando o bebê dorme 6h seguidas. Sendo assim, não sei como vivem os especialistas! Mas brincadeira a parte, não espere que seu bebê durma 12h a seguida tão cedo!

– Segundo a Dr Rosa Jové, no seu livro “Dormir sin lagrima” (sem tradução em português), a criança tem um padrão de sono que segue as necessidades particulares dela (que são diferentes dos adultos). Tal padrão evolua, se transforma até os 6 anos de idade e passa por muitas perturbações (desmame, ansiedade da separação, pesadelo, novas descobertas, etc). Por isso o bebê dormirá uma noite inteira (aquela noite sem despertar algum e um acordar na manhã seguinte com um sorriso para o dia!) no máximo quando atingir 5 anos! Isso mesmo! Então, se seu filho dormir sem acordar com 1 ano já pode dançar de alegria!

 

A minha filha por exemplo, passou a fazer as noites inteiras de maneira natural quando teve 2 anos…

Nos primeiros meses de vida é normal a criança acordar com frequência em busca de aconchego ou para mamar. Isso porque o estômago ainda é pequeno e não consegue armazenar grandes quantidades de leite. Então, a sugestão é encarar isso da melhor forma possível. Mas como?

A sugestão é aproveitar as sonecas do RN durante o dia para descansar também. A louça na pia pode esperar, bem como a roupa que precisa ser guardada. Uma divisão de atividades doméstica ajuda a não sobrecarregar a mãe, que geralmente assume a maior parte das tarefas da madrugada, especialmente quando o bebê mama no peito.

Nas mamadas da madrugada deixe tudo que você pode precisar por perto e tenha uma luz mínima no ambiente. Se conseguir ficar na escuridão melhor ainda, e tenta não falar. Assim, todos voltam a dormir com mais facilidade, sem muitos estímulos, e seu filho começa a entender a diferença entre dia e noite, o que vai ajudar a regular o sistema circadiano dele (já já vou falar mais sobre isso!)

Com bons hábitos de sono os despertares noturnos vão diminuir com o tempo. Pode confiar!

 

 

2 – Dia x noite

 

Você já ouviu falar em ciclo circadiano? Ele engloba o período de 24h do dia e regula o funcionamento do nosso corpo. É influenciado pela luz, temperatura, estímulos, dia e noite.

Ao nascer, o ciclo circadiano do bebê não é desenvolvido. Seu filho não entende que à noite deve dormir e durante o dia passar mais tempo acordado. Afinal, dentro do útero ele dormia e acordava no próprio ritmo! Isso é ensinado aos poucos, ajudando assim o RN a ter bons hábitos de sono desde os primeiros dias de vida.

 

Como mostrar pro bebê a diferença entre o dia e a noite:

  • Durante o dia abra as janelas da casa e deixe a luz natural entrar.
  • Na manhã e tarde mantenha os barulhos normais da rotina, como máquina de lavar, secador de cabelo, aspirador de pó, etc.
  • No fim do dia comece a diminuir a luz e os sons.
  • A partir do momento que o sol está se pondo feche as cortinas e use uma iluminação mais suave (como de abajures e luminárias).
  • Evite sons altos e muito barulho. É hora de acalmar para preparar o seu bebê para a hora de dormir.
  • À noite o escuro e o silêncio deve ser o mais absoluto possível (sabemos que pode ser mais difícil quando existe mais de uma criança na casa, mas vale tentar!).

 

Isso vai ajudar a evitar que a criança troque o dia pela noite, gerando angústia para os pais. Lembre-se que é um processo gradual e pode demorar um pouquinho até o recém-nascido se ajustar com a rotina da casa. Os especialistas apontam que acontecerá durante os 100 primeiros dias! Ou seja, pode ser que demore uns 3 meses.

 

 

3 – Exterogestação

 

A fase de adaptação com a vida fora do útero é chamada de exterogestação. É como se a gravidez continuasse por mais 3 meses, mas agora fora da barriga da mãe.

Entender a definição da exterogestação é importante, pois ao pensar em como o bebê fica acomodado no útero podemos lembrar de sugestões de como ele ficará confortável nos primeiros meses de vida, inclusive na hora de dormir.

Por exemplo: durante a gravidez a criança fica no quentinho, com os movimentos contidos e ouvindo os sons do corpo materno. Então, ao nascer é natural que tais elementos que remetam ao útero sirvam de aconchego.

Então, nos primeiros 100 dias de vida vale apostar em:

  • Colo e muito contato físico!
  • Sling para lembrar do balanço do corpo da mãe e proporcionar pele a pele.

  • White noise, também chamado de ruído branco. Ajuda a acalmar o bebê, pois remete aos sons do corpo materno, e pode ser útil para isolar outros barulhos.
  • Cueiro para fazer um charrutinho. A prática do casulo serve para conter os movimentos do bebê, que estava acostumado a ficar apertadinho na barriga da mãe. Mas atenção! Alguns estudos mais recentes desaconselham a prática de maneira sistemática, fazendo uma série de ponderações. Já falamos sobre o assunto em outro texto do blog, vale a pena conferir. Uma alternativa ao charrutinho é o saco de dormir, que vai limitar o espaço do bebê para aconchego, mas com mais conforto e segurança.

 

 

4 – Sonecas

 

O sono diurno pode deixar os pais de RN inseguros. Muitas são as dúvidas, como, por exemplo:

  • Será que se não dorme de dia dormirá melhor a noite?
  • Meu filho só dorme no colo, ele não vai ficar mal acostumado?
  • As sonecas do meu bebê são muito curtas, como esticar?
  • Como deve ser o ambiente da soneca?

Os questionamentos são normais! E de fato prestar uma atenção especial na soneca é essencial para um sono noturno de qualidade.

Nos primeiros 3 meses de vida as sonecas podem ser irregulares, leva um tempo até os pais conseguirem ter uma rotina mais definida com os pequenos. O mais importante nessa fase é garantir que o bebê consiga descansar.

Então, mesmo que seja no colo, no sling ou no carrinho, mais importante que o local do soninho é que ele aconteça. Até para evitar o efeito vulcânico no fim do dia, que ocorre quando a criança está tão exausta que tem dificuldade para adormecer. O resultado é muito choro e estresse!

Sobre a duração das sonecas, uma boa soneca tende a durar entre 50 e 60 minutos. Isso está relacionado com os estágios do sono do bebê, conforme a consultora de sono Denise Gurgel já compartilhou com a Joli Môme aqui no blog. Segundo a especialista em sono infantil, esse é o tempo necessário para restauração da energia e liberações hormonais fundamentais para o crescimento e desenvolvimento.

Então, o que fazer se o seu bebê só tira sonecas mais curtas que isso? Uma dica é caprichar no ambiente de sono. Um ruído branco pode minimizar sons externos. Diminuir um pouco a luz também pode ajudar, sem a necessidade de escuridão total. E, por fim, tente experimentar diferentes locais para as sonecas. Talvez seu filho faça uma soneca curta no berço, mas consiga prolongar quando no sling.

Lembre-se: os 3 primeiros meses de vida do bebê é uma fase intensa de adaptações e ajustes. Não se cobre tanto e não se preocupe excessivamente com regras e rotina! Seu pequeno precisa de muito colo e aconchego para entender como as coisas funcionam fora do útero. Devagar o sono vai se ajeitar.

 

 

5 – Ritual de sono

 

Uma aprendizagem valiosa com o sono dos pequenos desde o primeiro dia de vida é em relação ao ritual de sono. Ele consiste em ações repetidas constantemente que aos poucos vão sinalizar para o recém-nascido que a hora de dormir se aproxima.

O mais bacana do ritual é que ele pode ser adaptado conforme a criança cresce, acompanhando o desenvolvimento do bebê e seus interesses. Por exemplo: para um RN o ritual pode ser um banho relaxante, uma massagem com óleo, troca para pijama, vestir o saco de dormir e uma canção no colo com embalo. Já para os pequenos acima de 6 meses a canção pode ser substituída por um livrinho no colo dos pais. Enfim, as possibilidades são muitas e se ajustam conforme o ritmo da família e a personalidade do filho.

O importante do ritual é a repetição das etapas e num horário aproximado, para que ele encaminhe a hora de dormir com atividades mais calmas e relaxantes. Então, não perca tempo em estabelecer uma rotina de sono na sua casa!

Ter um recém-nascido em casa não é fácil e o sono pode ser um grande problema! Não dormir bem resulta em um bebê cansado, mal-humorado e mais chorão. O mesmo vale para os pais, que vão ficando cada vez mais exaustos na tentativa de conciliar os cuidados do bebê com a casa e outras atividades. Por isso, saiba que os 3 primeiros meses são de adaptação! Seja gentil com você mesma e seu bebê, faça a sua parte, mas aceite também que seu bebê tem um tempo natural para amadurecer.

Vale a pena buscar informações para ajudar os pequenos a dormirem bem desde sempre. Não existe fórmula mágica e adaptações sempre são necessárias. Mas aos poucos a criança vai aprendendo bons hábitos que vão refletir em toda a sua infância.

Você está aqui porque você é uma mãe maravilhosa que quer fazer o melhor para o seu bebê!

Um grande abraço,

Pauline