Quando o bebê nasce, uma dica muito comum para acalmá-lo é enrolar o pequeno como um charutinho, usando um cueiro. A técnica também pode ser chamada de casulo e tem como objetivo manter o bebê aquecido, mais calmo e tranquilo, especialmente na hora de dormir. Mas será que isso é mesmo uma boa solução?

O cueiro com recomendação médica

A prática ancestral do casulo é usada em prematuros, para reduzir o estresse após o nascimento e no caso de bebês que ficam na UTI Neonatal nos primeiros dias de vida, longe do calor e aconchego dos pais. Em tal caso, é feita com acompanhamento de uma equipe de saúde e dentro de um berço que respeita regras de segurança específicas.

Charutinho: o perigo de enrolar o bebê para dormir

O charutinho deve ser usado sob vigilância da equipe medica, dentro de um berço seguro!

A partir do uso com recomendação médica, o charutinho ficou conhecido como uma solução milagrosa anti-choro e começou a ser usada com frequência por muitas famílias, sem que as crianças apresentassem alguma necessidade particular para isso.

No entanto, estudos recentes passam a desaconselhar a prática sistemática em casa, dentro da rotina de cuidados da criança, por uma possível associação entre o charutinho e um aumento do risco de Síndrome da Morte Súbita Infantil (SMSI). A pesquisa divulgada na revista científica Pediatrics apresenta recomendações atualizadas para segurança durante o sono do bebê.

Segundo o estudo, enrolar o bebê como charutinho com uma manta ou cueiro é ainda mais perigoso quando a criança é colocada para dormir de lado ou de bruços. O artigo destaca que a posição mais adequada para o sono dos pequenos é de barriga para cima. Além disso, o casulo deve ser evitado especialmente quando as crianças começam a rolar ou após os 6 meses.

Isso porque se a criança está enrolada em um charutinho, a chance de conseguir se livrar de um objeto que possa estar atrapalhando a respiração é zero. Assim, o casulo deve ser usado com muita cautela, com recomendação do pediatra e em um berço isento de qualquer risco: sem protetores de berço, rolinho, travesseiro, objetos de pelúcia e apenas se a criança não conseguir se virar sozinha ainda.

Charutinho: o perigo de enrolar o bebê para dormir

Aliás, mesmo que a criança ainda não role, é necessária atenção extra após os 5 ou 6 meses, idade a partir da qual os pequenos possuem mais movimentos. Mais um perigo da técnica do charutinho é que sem uma ventilação adequada, ele favorece a hipertermia e infecção respiratória nos bebês.

Outros problemas causados pelo uso do casulinho

Conheça alguns outros motivos pelos quais a prática do charutinho não é indicada para acalmar os bebês:

  • Displasia de quadril: enrolar o bebê de forma inadequada ou apertado demais pode levar a displasia de quadril. No útero, os pequenos ficam em posição fetal com as pernas dobradas, não retas. O endireitamento repentino das perninhas através do uso do charutinho pode soltar as articulações e danificar a cartilagem.
Charutinho: o perigo de enrolar o bebê para dormir

Alguns modelos de swaddle permitem liberdade de movimento nas pernas, justamente para criança poder manter uma posição mais confortável.

  • Peito comprimido: a parede torácica pode ficar comprimida e isso acaba dificultando a respiração do bebê.
  • Associação de sono: enrolar o bebê pode se tornar uma associação de sono. Isso significa que a criança vai se acostumar a dormir daquele jeito e vai ter dificuldade quando tiver que se adaptar de outra forma. Considerando que o charutinho não é recomendados quando a criança começa a virar, pouco depois que o bebê se acostumar com o hábito terá que deixar a associação como medida de segurança, o que pode prejudicar a rotina de sono e resultar em uma série de noites difíceis para toda família.
  • Descoberta do próprio corpo: o casulo impede o movimento livre da criança e, portanto, pode atrasar o desenvolvimento psicomotor por atrapalhar a descoberta do próprio corpo. Ele impossibilita, por exemplo, que a criança leve as mãos na boca, coce o olho, entre outros movimentos.

Segurança ao enrolar o bebê como um charutinho

Se você for usar o casulo em um bebê por alguma necessidade específica ou indicação médica, o método deve seguir algumas recomendações fundamentais de segurança. Atenção para elas:

  1.  O charutinho não deve ser frouxo demais, a ponto da manta ou cueiro se soltar e apresentar risco de sufocamento.
  2. Também não ser apertado demais, para evitar apertar o tórax e prejudicar a respiração. A dica é que pelo menos uma mão caiba entre a manta e o tórax do bebê.
  3. Cuidado para o cueiro não ser muito apertado na região das pernas e do quadril.
  4. O uso do casulo não deve ser prolongado.
  5. Converse sobre o assunto com seu pediatra, para ir avaliando até quando fazer uso da técnica

O saco de dormir como alternativa

Uma alternativa ao uso do charutinho é o saco de dormir, chamado em francês de turbulette. Ele pode representar a ajuda necessária para os pais na hora de oferecer conforto, aconchego e segurança aos seus filhos. Isso porque ele ajuda na referência de rotina de sono para a criança, que vai identificar o saco de dormir como parte do ritual de preparação para hora de descansar.

Na questão do aconchego, o saco de dormir pode ficar junto da mãe por uma noite para ter o seu cheiro e fazer com que a criança sinta-se segura. Além disso, seu espaço limitado, mas sem apertar a criança, vai provocar a sensação de conforto que ela precisa para relaxar e dormir bem.

saco de dormir alternativa ao swaddle

Importante destacar que o saco de dormir não tem contra-indicações, pois deixa o quadril sem impedimentos e mãos e braços livres. Também não representa risco de sufocamento, pois não cobre o rosto do bebê.

Cuidados fundamentais para a segurança durante o sono

Além da atenção ao uso do charutinho, o estudo da Pediatrics indica uma série de pontos importantes de segurança para reduzir o risco de Síndrome da Morte Súbita Infantil. Confira:

  • Colocar o bebê para dormir de barriga para cima: a posição de lado ou de bruços não é uma alternativa segura para crianças com menos de 1 ano. Apenas depois do primeiro aniversário que seu filho já terá maior domínio dos movimentos e poderá dormir na posição que achar mais confortável. Se o seu filho virar sozinho não tem problema, mas aconselhamos que toda vez que você colocá-lo de novo no berço deixe-o de barriga para cima novamente.
  • Usar uma superfície de sono firme: o ideal é um colchão firme e com certificação de segurança. Assim, caso a criança role ela vai conseguir virar a cabeça ou o corpo todo para poder respirar com mais facilidade do que em um colchão fofo.
  • Amamentação: segundo a pesquisa, bebês que são amamentados possuem um risco reduzido de Síndrome da Morte Súbita Infantil. De modo geral, o aleitamento materno exclusivo é recomendado até os 6 meses.
  • Quarto compartilhado: a análise dos especialistas indica que o quarto compartilhado é uma alternativa segura para o bebê no primeiro ano de vida. Lembrando que é quarto compartilhado e não cama compartilhada!
  • Evite protetores de berço, mantas e cobertores: deixe o espaço interno do berço o mais livre possível, para evitar o risco de sufocamento. A melhor forma de proteger o bebê é vesti-lo de forma adequada com apoio de um saco de dormir, que vai deixá-lo aquecido de forma segura.
Charutinho: o perigo de enrolar o bebê para dormir

O ideal é manter o berço com o menor número de elementos possível, sem brinquedos, ursos de pelúcia, cobertas ou outros objetos que podem representar risco para a criança.

  • Evite a exposição ao fumo durante a gravidez e após o nascimento: o risco de Síndrome da Morte Súbita Infantil é ainda maior quando a criança divide a cama com um adulto fumante, mesmo que ele não fume na cama.

Segurança é fundamental quando estamos falando dos nossos filhos. Por isso, é importante observar as recomendações para a hora de dormir, aliando cuidados básicos e hábitos saudáveis, como uma rotina estruturada de sono. Assim, a família toda pode descansar sossegada e tranquila.

E você, como deixou o berço do seu bebê seguro?

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