Síndrome da Morte Súbita do Lactente (SMSL): O que é e como evitá-la
Todo ano, no Brasil, entre 2.500 e 3.000 bebês com menos de 1 ano morrem de forma súbita e inexplicada durante o sono. Após análises detalhadas, às vezes o falecimento pode ser atribuído a uma doença, malformação ou trauma. Quando nenhuma causa direta é encontrada, conclui-se que se trata de Síndrome da Morte Súbita do Lactente (SMSL). A morte inesperada do bebê continua sendo uma das principais causas de mortalidade no Brasil entre os bebês com menos de 1 ano.
1 – O Modelo do Risco Triplo
O que causa essas mortes súbitas em alguns lactentes ainda é em grande parte desconhecido.
Nos anos 1990, surgiu a hipótese de que a posição de deitar o bebê de barriga para baixo não seria a causa direta do falecimento, mas sim um fator desencadeante que revela fragilidades intrínsecas na criança. Ou seja, um bebê não morre diretamente por ser colocado de barriga para baixo, mas essa posição se soma a outros fatores de risco que, combinados, podem levar à morte. Assim, não se trata de uma fatalidade que acomete um recém-nascido aleatoriamente, mas sim da combinação de três parâmetros.
Desde então, a maioria das pesquisas sobre a morte súbita do lactente tem se concentrado nessa hipótese, chamada de “modelo do risco triplo”, representado pelo triângulo abaixo:

- Primeiro vértice: “Período vulnerável” está relacionado à idade da criança. O pico ocorre em bebês com menos de 1 ano, principalmente entre 1 e 4 meses. Trata-se de um período crítico do desenvolvimento neurológico, respiratório e cardíaco, o que pode torná-los particularmente vulneráveis. Todos os bebês passam por esse período, portanto, os pais não podem agir diretamente para proteger seus filhos contra esse fator de risco.
- Segundo vértice: “Fator intrínseco”. Um bebê que morre dessa forma pode apresentar uma ou mais vulnerabilidades intrínsecas que o tornam mais frágil do que outros. Vários fatores foram identificados como aumentando o risco de ocorrência de tal evento:
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- O sexo da criança (os meninos são mais frequentemente afetados pela morte súbita)
- Peso de nascimento baixo
- Nascimento prematuro
- Tabagismo materno durante a gravidez
- Predisposições genéticas
Quanto a esses parâmetros, também não temos controle e, às vezes, nem conhecimento (no caso da predisposição genética). Ou seja, não sabemos se nosso filho tem um fator intrínseco ou não!
- Terceiro vértice: “Evento acionador”. Esse fator inclui todas as condições de sono que podem aumentar a probabilidade de que um bebê sinta muito calor ou tenha dificuldades para respirar, assim como infecções que afetam as vias respiratórias.
E é nesse aspecto que nós, pais, temos o poder de controlar através das regras do sono seguro para evitar que esse terceiro vértice do triângulo se ative, diminuindo assim a possibilidade de que a Síndrome da Morte Súbita do Lactente ocorra!
2 – Como evitar ativar esse terceiro vértice:
Respeitando as regras a seguir, estima-se que poderíamos evitar metade dos casos de SMSL. No Brasil, isso representaria entre 1.200 e 1.500 bebês que poderiam ser salvos!
Como deitar o bebê:
- De costas e em um colchão firme
- Usar um saco de dormir adequado ao seu tamanho e à temperatura (recomendamos esses modelos AQUI)
- Em um berço com grades que esteja em conformidade com as normas
- Não adicionar ao berço almofadas, lençóis, edredons, travesseiros, colchões extras, almofadas de amamentação, rolos, cercadinhos, ninhos, cobertores, bichos de pelúcia, paninhos ou qualquer outro objeto que possa cobri-lo ou obstruir suas vias respiratórias.

Ambiente em casa:
- Temperatura: Não cubra demais o recém-nascido e evite superaquecer o quarto – mantenha a temperatura entre 18 °C e 20 °C
- Ambiente: Faça o bebê dormir no quarto dos pais durante pelo menos os primeiros seis meses, mas não na mesma cama
- Tabagismo: Evite o tabaco durante a gravidez e não fume na presença do bebê ou no quarto onde ele dorme
Outros pontos:
- Transporte: O bebê deve ser mantido em posição vertical, com a cabeça sustentada e visível, e as vias respiratórias bem desobstruídas
- Dispositivos de monitoramento: Câmeras ou sensores colocados sob o colchão não são recomendados para prevenir a morte súbita do recém-nascido e podem até proporcionar aos pais uma falsa sensação de segurança
- Outros elementos protetores: A amamentação (durante os primeiros seis meses), o uso de chupeta (não presa ao bebê devido aos riscos de estrangulamento) e a vacinação têm efeito protetor
Lembre-se: quando somos mães, não podemos controlar tudo, mas podemos fazer o nosso melhor. Para o resto, é preciso confiar! Deite seu bebê com segurança e aproveite para descansar; você merece!
Um abraço,
Pauline!


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