Quem nunca ouviu falar daquele hábito entre pais, especialmente os de primeira viagem, de checar a cada 4 minutos se o bebê está respirando? Pois bem, esse hábito é muito comum e geralmente está associado ao receio que muitos cuidadores têm em relação a Síndrome da Morte Súbita do Lactente.

Mas você sabe o que é essa Síndrome? Quais são as causas e como preveni-las? Para esclarecer essas e outras dúvidas mostraremos nesse artigo todas as informações correlatas a esse problema de saúde, que é uma das principais causas de morte em bebês em vários países, incluindo o Brasil.

1- O que é a Síndrome da Morte Súbita do Lactente?

A síndrome da morte súbita do lactente, também identificada pela sigla SMSL e popularmente conhecida como a “morte do berço”. Ela foi citada pela primeira vez na Segunda Conferência Internacional sobre Causas de Morte Súbita em Crianças, que aconteceu em Seattle, por volta de 1969.

Sua definição mais atual foi dada por Henry Krous, durante a Conferencia de San Diego em 2004, no qual ele definiu essa síndrome como a : “ morte súbita de uma criança menor de 1 ano de idade, aparentemente durante o sono e que permanece inexplicada após minuciosa investigação, incluindo-se revisão da história clínica e circunstâncias da morte, além de autópsia completa e testes auxiliares”.

Justamente por não apresentar uma causa específica, muitos pais têm se preocupado com essa questão e buscado mais informações sobre essa síndrome.

 

2- Síndrome da Morte Súbita do Lactente: Dados Epidemiológicos

Síndrome da Morte Súbita do Lactente: Dados Epidemiológicos

A síndrome da morte súbita do lactente, apesar de sempre ter existido, só passou a ter mais notoriedade com o avanço da medicina, que tem permitido diagnósticos mais precisos dessa síndrome, o que contribui para que os médicos se familiarizem mais com esse tipo de problema.

Nos Estados Unidos por exemplo, o número de bebês que morrem com a SMSL é de 2500 bebês por ano.

No Brasil, o número de crianças que morrem, por ano, com a síndrome da morte súbita do lactente é de aproximadamente 3000 casos. Mas esse valor pode ser maior, tendo em vista que muitos casos não são adequadamente registrados para fins estatísticos, pois para fazer esse registro é necessário a realização de necropsia, entre outros exames.

O estudo mais recente sobre SMSL no Brasil foi realizado em 2004 na cidade de Passo Fundo, e apresentou um percentual de 1,75 para cada 1000 recém-nascidos.

Esse número é similar ao apresentado por países do hemisfério norte em 1994, antes à realização de campanhas de prevenção, que contribuíram a reduzir a ocorrência dessa síndrome em até 50%.

Portanto, é possível notar que se houvesse uma intensificação maior das campanhas de prevenção da SMSL no Brasil, cerca de 1500 vidas poderiam ser salvas no país.

3- Fatores de risco para a síndrome da morte súbita do lactente

A síndrome da morte súbita do lactente não apresenta uma causa aparente, e por esse motivo os país não tem como saber se o seu filho pode ou não ser uma vítima.

A SMSL ocorre quando um fator externo: cobertor, protetor de berço, pelúcia, dentre outros, obstrui as vias aéreas do bebê durante o sono. Diante disso as crianças vulneráveis entram em processo de asfixia e não conseguem ter os reflexos necessários para se libertarem dessa situação. Para evitar esse problema é importante excluir todos os elementos que podem provocar a obstrução das vias aéreas da criança.

Em geral, existem alguns fatores intrínsecos e extrínsecos que explicam a vulnerabilidade que algumas crianças apresentam para essa síndrome.

Fatores intrínsecos – Fatores não modificáveis, que tornam determinadas crianças mais vulneráveis, o que não descarta a chance de acontecer com outras crianças.

  • Idade: Os bebê entre 2 e 5 meses de idade estão mais sujeitos a SMSL;
  • Gênero e etnia: Ocorre com mais frequência em crianças do sexo masculino e de etnia americanas e negras.
  • Fatores Genéticos: Alguns estudos realizados mostram uma predisposição genética que faz com que algumas crianças sejam mais suscetíveis a apresentar essa síndrome.
  • Crianças prematuras: nascido antes de 37 semanas e/ou abaixo do peso 2.5kg
  • Exposição pré-natal a drogas licitas e ilícitas: A exposição ao cigarro e outras drogas licitas e ilícitas durante a gestação aumentam os riscos.
  • Fatores socioeconômicos e demográficos: Alguns fatores socioeconômicos e demográficos como desemprego, precariedade econômica, monoparentalidade e gravidez na adolescência também contribuem para esse problema, pois a falta de pré-natal, comum nesses casos, impede que os pais obtenham as informações necessárias para garantir os devidos cuidados ao recém-nascido.

Fatores extrínsecos – Fatores sobre quais os pais tem poder. Nesses casos os cuidados preventivos são essenciais para diminuir os riscos de SMSL.

  • Ambiente: O ambiente onde a criança dorme pode conferir altos riscos. Muitos pais colocam vários elementos dentro do berço como: protetor de berço, travesseiro, cobertor, pelúcia, colchão depressível, etc., visando o conforto da criança. Entretanto, acabam aumentando as chances do bebê ter as suas vias aéreas cobertas por um objeto.
  • Posicionamento para dormir: O posicionamento errado do bebê durante o sono é um dos principais fatores que levam a criança a óbito. É comum que os pais posicionem o filho de barriga para baixo na hora de dormir. No entanto essa posição aumenta em até 11 vezes o risco da criança sofrer com SMSL;
  • Partilha da cama: Inúmeros estudos comprovam que a partilha da cama de casal com o bebê confere riscos a vida da criança.
  • Temperatura excessiva: A temperatura alta, tanto do quarto, como do bebê em decorrência do excesso de roupa, pode desencadear processo de SMSL.

Outro fatore de risco também: o ato de levar a criança para dormir na casa de amigos ou familiares, pois eles raramente seguem as recomendações acima por falta de informações.

No entanto é importante os pais se conscientizem que essas recomendações devem ser respeitadas sempre, em qualquer circunstância.

4- Como prevenir a síndrome da morte súbita do lactente?

Como prevenir a síndrome da morte súbita do lactente?

Em vários países, a adoção de medidas simples torna possível a redução da taxa de mortalidade por síndrome da morte súbita do lactente. Entre as principais formas de prevenção estão:

1- Deitar a criança de barriga para cima

Nossa cultura ensinou que o bebê deve dormir de lado, entranto não é a posição mais recomendada para a criança dormir.

“O hábito de deixar o bebê dormir de lado está enraizado na nossa cultura. Existe uma crença muito forte de que o bebê pode se afogar se estiver de barriga para cima, mas os estudos mostram que isso não é verdade”, salienta a dra. Magda Lahorgue Nunes, Neurologista pediátrica em Porto Alegre.

Portanto o ideal é que o bebê durma de barriga para cima.

O ideal é que o bebê durma de barriga para cima

Depois de um certo tempo, é normal o bebê começar a se virar sozinho na cama. Nesse caso, o ideal é deixa-lo à vontade, na posição que quiser, até mesmo porque isso demonstra que a criança tem maturidade muscular suficiente para se afastar do perigo. Contudo, toda vez que pegá-lo do berço, coloque-o na posição de barriga para cima.

2- Use o saco de dormir em substituição ao cobertor

O saco de dormir é uma excelente alternativa para utilizar em substituição ao cobertor.

Esse item foi, inclusive, bastante promovido nas campanhas de prevenção nos países desenvolvidos nos anos 1990.

Adotando o saco de dormir você estará mantendo o bebê agasalhado, sem risco de sufocamento e também evitará que ele superaqueça colocando camadas excessivas de roupas.

3- Coloque o bebê para dormir no seu próprio berço

Já é comprovado que o fato da criança dormir na cama dos pais no primeiro ano de vida, aumenta e muito as chances dela sofrer a SMSL. Por isso procure colocar seu bebê para dormir no seu próprio berço. Se você se sentir insegura, pode pôr o berço no seu quarto!

4- Providencie um local adequado para o bebê dormir

O que é uma cama segura? É um local simples, prático, confortável e adequado para proteger o seu filho da SMSL. Para tanto você deve:

Uma cama segura

  •  Retirar o protetor de berço ainda mais se ele for fofo demais, pois a criança pode “enfiar” o rosto dentro. Ele cria a ilusão de um espaço agradável, mas isso é do ponto de vista dos pais, pois a criança não precisa disso;
  • Deixar no máximo uma naninha para seu filho dormir;
  • Usar um colchão adaptado ao berço, que não seja pequeno demais, para não deixar espaços vazios nas laterais, e que seja firme, pois se for depressível, a criança pode acabar afundando o rosto dentro;
  • Não usar travesseiros, pois além de ser elemento que pode gerar riscos para bebê, sua ausência não afeta a qualidade do sono da criança.
  • Não usar cobertor, pois a criança, ao se mexer, poderá cobrir a face com ele. Opte por outras alternativas mais seguras como sacos de dormir por exemplo.
  • Deixar a criança com os pés encostados no fundo do berço.

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